quarta-feira, 8 de abril de 2009

A estranha situação de estar em greve



Sempre fui uma pessoa contra greves. Lembro que na minha infância e adolescência frequentemente ocorriam greves do magistério estadual, na qual muitos amigos ficavam dias (ou até meses) sem aulas e, assim, o calendário escolar ia verão adentro, causando um problema nas férias.
Via greves no serviço público em geral como um atestado de preguiça dos grevistas, que não desejam trabalhar e causam enormes transtornos na sociedade.
Entretanto, ontem foi decidido que os professores da Ulbra entrariam em greve por tempo indeterminado. Isto fez com que, pela primeira vez, estivesse no outro lado da greve. Ao invés de estar sendo afetado por ela, estava sendo parte de uma.
Acabo me sentindo um pouco estranho. O fato de estar em greve não permite que eu faça uma das minhas atividades preferidas (ensinar), e isto não é uma boa situação para um profissional.
Tá certo que o fato da universidade estar me devendo pelo menos 3 meses de salário, de que só recebi em dia uma vez em 9 meses, de que ela fez um acordo para assegurar o início do semestre e não cumpriu,... pesa bastante na decisão de entrar em greve e é a minha maneira de protestar face a toda esta situação.
Mas também é chato fazer parte de algo que acaba afetando a uma grande fatia da sociedade. Aproximadamente 153 mil alunos estudam na Ulbra (contando ensino à distância, graduação, pós e escolas) e uma greve afeta não somente eles, como a suas famílias.
Mas, sinceramente, é a única solução que restou depois de todos os esforços de professores e demais funcionários para resolver a situação.
Espero sinceramente que esta greve termine logo. E confesso que começo a compreender melhor os funcionários públicos no momento da greve deles.
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